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Andrei Rodrigues critica classificação dos EUA sobre PCC e CV como 'equívoco grosseiro'

PF não reage à medida. Recalibra o próprio perímetro.

Andrei Rodrigues critica classificação dos EUA sobre PCC e CV como 'equívoco grosseiro'
Foto: Reprodução / Agenda do Poder

Em entrevista ao Metrópoles nesta sexta (05), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, chamou de 'equívoco grosseiro' a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Para ele, facções brasileiras operam por lucro ilícito, não por motivação ideológica ou religiosa — e a medida, segundo afirmou, não altera a legislação brasileira nem a estratégia nacional de combate ao crime organizado.

Mas a reação de Andrei não foi crítica de substância. Foi reposicionamento. Quando um diretor-geral diz que uma decisão internacional 'não produz efeitos', ele não está negando a realidade — está recalibrando expectativa. O movimento real tem três camadas: Washington acionou instrumento que amplia poder de congelamento patrimonial e extraterritorialidade; a PF perdeu controle técnico da narrativa; e Andrei abriu porta para cooperação expandida, mas com condição — que o Brasil defina como. 'Existem possibilidades de atuação conjunta sem mudança na legislação brasileira', disse ele. É marcação de território.

Andrei também reconheceu possíveis 'dificuldades burocráticas futuras' e a necessidade de 'acompanhar como o governo americano pretende operacionalizar' a medida. Isso é linguagem de quem perdeu previsibilidade: a estrutura que organizava a cooperação tornou-se porosa. A questão, agora, não é se PCC e CV são terroristas. É quem controla a operação dessa classificação — Washington, Brasília ou as duas. A PF quer garantir que seja ela. A próxima rodada testa se consegue absorver a mudança sem sair da centralidade.