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Alerj flagra despejo de chorume em Jardim Gramacho

O flagrante não é a descoberta. A pauta legislativa, sim.

Alerj flagra despejo de chorume em Jardim Gramacho
Foto: Reprodução / Coisas da Política

Segundo o portal Coisas da Política, a Comissão de Meio Ambiente da Alerj flagrou, na última terça-feira, o despejo irregular de chorume no antigo Aterro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias. Os responsáveis foram levados à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. Técnicos coletaram amostras do líquido tóxico, que pode atingir o Rio Sarapuí e, em seguida, a Baía de Guanabara. A operação, que reuniu órgãos ambientais, policiais, pesquisadores e pescadores, foi consequência de audiência pública realizada em maio.

O dado ambiental, porém, é antigo — técnicos, ONGs e pescadores já documentavam o despejo desde 2010. O movimento político é novo. Dois deputados — Renato Machado (PT), vice-presidente da comissão, e Marcelo Dino (PL) — ocupam simultaneamente o espaço de salvadores públicos. Ambos saíram da fiscalização com proposta de lei. É divisão de função: um puxa o rito, o outro valida e garante que a pauta não é partidária, mas estadual. Juntos, fazem o que a máquina pública não fez em uma década: transformar crise em legislação. O custo dessa transformação é zero para quem a acionou.

A proposta em discussão — monitoramento em tempo real, exames periódicos para pescadores, proibição de diluir chorume em esgoto — é sensata. Mas aponta que a legislação anterior não tocava no ponto. Houve escolha, não negligência. O interessante agora é observar a velocidade: rápida demais pode ser blindagem prévia; lenta demais, problema absorvido. O Rio Sarapuí continua recebendo chorume. O que muda é quem tem resposta para a câmera.